OPINIÃO: João Jesus Nunes
1-2-2012
- Toninho, come um pastelinho de nata e toma um chazinho de tília. Acalma os teus nervos!
- Maria, já te esqueceste do teu Aníbal?
- Aníbal António não é, afinal, o meu amor querido?
E não é que o homem de Boliqueime lá foi conseguindo dormir o primeiro sono, mas, levado em sonhos fora do mundo dourado, levanta-se, estremunhado.
E Maria, sua companheira dos bons e maus momentos, resolve o problema com um sal de fruta.
- Foi o pastelinho de nata, Toninho, mais valia teres comido bolo-rei.
O bolo-rei estava entretanto na arca e, conquanto a situação estomacal regressasse ao normal, o grande homem das lides lusitanas prossegue a conversa num tom mais tranquilizante.
- Ora vamos lá, Toninho, o facto de teres dito que eu tenho uma reforma de cerca de oitocentos e tal euros à populaça, eu não levei a mal, amor. Mas quanto aos mil e trezentos euros da tua reforma, mil e trezentos euros como repetiste, podias ter aumentado mais um bocadinho, para calares aqueles malditos que se esqueceram das estradas que lhes destes, dos subsídios que lhes concedestes, das admissões nos serviços públicos, de confiares nos formadores sem reservas, dos catorze meses que destes aos pensionistas…
- Maria, meu encanto, só queria que ao menos um jornal, uma televisão ou uma rádio, deste meu querido Portugal, deitasse água na fervura e me ajudasse a resolver o problema…
- Ainda não recebemos o jornalzinho da Paróquia. E se formos falar com o prior?
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