|| A vermelho: o aterro de Arsénio-piriteA autarquia reconhece a existência deste tumor ambiental e os seus perigos para a saúde pública numa zona que está empenhada em requalificar para o turismo –
Projecto «Rio». Mas assegura que, já por sua iniciativa, foram tomadas as devidas providências de segurança, através de um projecto de recuperação ambiental do professor Diniz da Gama. Contudo, contactado pela
Kaminhos, este docente do Instituto Técnico de Lisboa afirma desconhecer a situação.“O projecto foi feito há três anos, foi apresentado à Beraltin – não à autarquia – e não sei o que foi feito, pois não tive responsabilidade no terreno nem regressei às Minas nos últimos tempos”, confessa.

No entanto, segundo informou à
Kaminhos o engenheiro Nuno Alves, da Beraltin, técnico que acompanhou os trabalhos, em Maio de 2005 foi colocado sobre o arsénio-pirite uma camada geotextil impermabilizante. “Uma espécie de ‘almofada’ protectora e uma tela impermeável que evita a entrada de águas” que, ao escorrer para o solo, arrastariam parte destes minérios. Foram ainda plantadas gramíneas, uma relva – visível nas fotos recentes – “que ajuda a suster a terra vegetal que foi colocada e que evita que as pequenas partículas sejam arrastadas pelos ventos até alguns quilómetros em volta…”, refere.
Segundo este técnico, a presente solução foi a “mais simples, mais barata e mais rápida, pois era urgente tomar medidas” e está convicto que responde a um padrão alto de segurança. “O óptimo é inimigo do bom. Esta solução é uma resposta prática e eficiente para o problema”, confirma Nuno Alves.
Contudo, se é verdade que o material perigoso foi forrado na sua parte superior, por baixo continua em contacto com o solo e com os lençóis freáticos. Mas, para Nuno Alves, “remover todo aquele material não iria resolver nada, já que os danos causados no solo são irremediáveis”. O importante era agora “travar o processo e, se já não entra água, então também não sai, estacando o sistema de contaminação”, defende. “Mesmo a agua com que são regadas as gramíneas são drenadas e tratadas antes de seguirem para o rio”.
À espera de soluções… que nunca chegaram 
O Cabeço do Pião situa-se numa elevação na ponta oeste da Serra da Gardunha, nos limites da freguesia de Silvares e da Barroca do Zêzere, concelho do Fundão. Foi aqui que, em 1904, se montou uma pequena lavaria alimentada energeticamente por uma turbina que estava na margem esquerda do rio. Funcionou até 1911, quando foram encerrados os trabalhos. Mas, em 1928, iniciou-se a construção duma nova lavaria para tratar todo o minério proveniente da nova exploração de estanho na Barroca Grande e que só viria a encerrar em 1996.
Segundo informação da Beraltin, durante alguns anos a arsénio-pirite resultante das lavagens ainda foi vendida. Porém, com o passar do tempo, a empresa teve dificuldades em colocar este produto no mercado. E, como se trata de material industrial perigoso, houve igualmente dificuldade em encontrar outras opções para depósitos, pelo que se foi acumulando… à espera de soluções!